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Mercado Pecuária de corte

Arroba passa de R$ 400 na B3, mas a reposição sobe ainda mais rápido

O boi gordo bate recorde atrás de recorde em 2026. O detalhe que o pecuarista não pode esquecer: o bezerro, que é a matéria-prima da próxima boiada, subiu mais do que o boi.

Por Redação Boi Digital 360 · Porto Nacional (TO) ·

O mercado do boi gordo fechou outubro no maior patamar nominal já registrado. Na B3, o contrato com vencimento em novembro terminou o mês ajustado a R$ 407,10 por arroba, segundo dados compilados pela FarmNews, e os vencimentos de novembro de 2026 a fevereiro de 2027 seguem negociados acima dos R$ 400. No mercado físico, o Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq encerrou outubro a R$ 389,90 à vista em São Paulo.

O avanço acumulado no ano passa de 20%. Só em outubro, a valorização foi de cerca de 6% a 7% sobre setembro, de acordo com os levantamentos de mercado do período.

Arroba do boi gordo nas praças

Referência da última semana de outubro de 2026, em R$ por arroba. Fonte: Scot Consultoria, via Canal Rural.

São PauloR$ 395
Uberaba (MG)R$ 380
Dourados (MS)R$ 380
Goiânia (GO)R$ 375

Por que o boi subiu tanto

A explicação mais citada por analistas é a oferta curta de animais prontos para o abate. Depois de anos de abate forte de fêmeas, o rebanho entrou na fase em que o pecuarista retém matrizes e segura a boiada, e o frigorífico encontra menos gado para comprar.

Do lado da demanda, dois motores ajudam: o dólar mais alto, que deixa a carne brasileira mais competitiva lá fora e engorda a margem dos frigoríficos exportadores, e as compras dos Estados Unidos e da China. Pesquisadores do Cepea avaliam que não há espaço para recuo relevante nas cotações até o primeiro semestre de 2027, enquanto a Scot Consultoria espera que os R$ 400 na bolsa se sustentem ao longo de novembro.

Nem todo mundo vê espaço infinito. A Datagro pondera que a faixa dos R$ 400 pode funcionar como teto, porque preços muito altos começam a pesar no consumo de carne dentro do país, justamente no período das festas de fim de ano. E a gestão da cota chinesa, assunto de outra reportagem desta edição, é um fator que pode mudar o ritmo das compras dos frigoríficos.

O outro lado da conta: o bezerro

Para quem compra reposição, o recorde do boi vem acompanhado de uma notícia menos animadora. Pelos cálculos da FarmNews, o bezerro, medido em reais por arroba equivalente, passou de R$ 434,40 no fim de 2025 para R$ 535,40 em meados de outubro, uma alta de 23,3%. No mesmo intervalo, o boi gordo subiu 19,3%.

Quando a reposição sobe mais rápido que o boi, o lucro do recriador e do engordador não acompanha o preço da arroba na mesma proporção.

É por isso que análises recentes do setor chamam atenção para um paradoxo: a arroba bate recorde, mas a rentabilidade de quem precisa comprar animal magro pode ficar igual ou até menor do que a do ano passado. Para o criador que vende bezerro, ao contrário, o momento é dos melhores da década.

Quem ganha maisO criador que vende bezerro e a fazenda de ciclo completo, que não depende de comprar reposição.
Quem precisa de conta finaRecria e engorda que compram o animal magro caro e vendem o gordo meses depois.
O que acompanharÁgio da B3 sobre o físico, escalas dos frigoríficos e o ritmo das exportações.
O que não pode faltarSaber o custo real de cada cabeça até a saída, e não só o preço da arroba no dia.

O que esperar até o início de 2027

Há projeções mais ousadas no mercado. A consultoria Agromove, por exemplo, trabalha com arroba entre R$ 430 e R$ 440 até fevereiro de 2027. O consenso, por ora, é de preços firmes enquanto a oferta de boi terminado seguir restrita. Em um mercado assim, o ganho não está só em vender bem: está em não deixar arroba escapar no caminho, seja por animal perdido, seja por lote que passa do ponto.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de compra, venda ou investimento.