Desde 1º de outubro, cada tonelada de carne bovina brasileira que chega à China acima da cota anual paga uma sobretaxa de 55%, somada à tarifa regular de 12%. Na prática, o produto passa a enfrentar uma cobrança total de 67% para entrar no maior mercado comprador do país, conforme informou a Agência Brasil.
O limite com tarifa normal para 2026 era de 1,106 milhão de toneladas. É a maior cota concedida pela China entre os fornecedores estrangeiros, mas ficou abaixo do volume que o Brasil vinha embarcando nos últimos anos. O mecanismo foi adotado por Pequim para proteger os próprios pecuaristas diante do crescimento das importações, e vale também para outros exportadores, como a Austrália.
Como funciona a cota chinesa
Exportação perde ritmo e procura outros destinos
O efeito apareceu nos embarques. Levantamento da Safras & Mercado com dados da Secex mostra que, nos primeiros 11 dias úteis de outubro, o Brasil exportou em média 9,8 mil toneladas por dia de carne bovina in natura. O número é cerca de 5,5% maior que o de setembro, mas segue aproximadamente 26% abaixo do pico do ano, de 13,3 mil toneladas diárias.
Com a China mais cara, os Estados Unidos se consolidaram como a principal alternativa para os frigoríficos. Ao mesmo tempo, o preço médio da tonelada exportada subiu, o que ajuda a compensar parte da queda de volume. Para o ano, a Abiec, associação dos exportadores, projeta recuo de cerca de 10% nas exportações totais de carne bovina em relação a 2025, num cenário que inclui também restrições da União Europeia.
A briga pela cota de 2027
A Abiec voltou a defender junto ao governo um sistema interno de gestão da cota, com divisão do volume entre os frigoríficos. A ideia é evitar uma corrida no início do ano que esgote o limite de 2027 em poucos meses. Analistas ouvidos pelo Canal Rural avaliam que, sem algum tipo de controle, a pressão de compra pode empurrar a arroba ainda mais para cima no curto prazo e criar um vazio de demanda depois.
No fim de setembro, a China habilitou mais duas plantas brasileiras para exportar carne bovina, uma em Minas Gerais e outra em Pernambuco. O governo brasileiro segue negociando com Pequim alternativas para ampliar o espaço dos embarques.
O que isso tem a ver com a fazenda
Mercados mais disputados e mais exigentes premiam quem consegue provar a origem do animal. Habilitação de plantas, protocolos sanitários e acordos comerciais passam, cada vez mais, pela rastreabilidade do boi do nascimento ao abate. Com a identificação individual obrigatória do rebanho a caminho, a fazenda que já tem o histórico de cada cabeça organizado sai na frente na hora de negociar com o frigorífico exportador.